Ora Et Labora
(Reza e Trabalha)
Compromisso de todo cristão.
A sociedade contemporânea passa por expressivas transformações de caráter social, político e econômico, originadas nos pressupostos neoliberais e na globalização que têm norteado as políticas governamentais em todas as esferas. Neste contexto em constante mutação, surgem questionamentos junto aos educadores e demais agentes escolares: Qual o papel social da escola? Qual a melhor forma de organizar o trabalho pedagógico?
O espaço escolar marca a vida de todo cidadão, já que o nosso modelo de sociedade necessariamente passa pelo aprendizado sistematizado. Sem desconsiderar as aprendizagens recebidas informalmente através das trocas sociais, a escola tem um papel de realce, enquanto responsável por grande parte das atividades e dos conhecimentos humanos. É a responsável pela promoção do desenvolvimento do cidadão, no sentido pleno da palavra. A ela cabe definir-se pelo tipo de cidadão que deseja formar para que seja atuante na sociedade em que se insere e cabe-lhe, também, definir planos, metas e objetivos que julga necessários para que esse cidadão possa ser capaz de provocar mudanças significativas nessa mesma sociedade.
O Vita et Pax opta por trabalhar no sentido de formar cidadãos conscientes, capazes de compreender, criticar e modificar a realidade, buscando a superação das desigualdades sociais, promotores do respeito, da fraternidade, da solidariedade, da vida e da paz.
Assim, por assumir a responsabilidade de atuar na transformação e na busca do desenvolvimento social, o projeto político-pedagógico ultrapassa a mera elaboração de planos. Lidando com a mobilidade do humano, o projeto político-pedagógico é um processo alicerçado em elementos estruturantes, em práticas pedagógicas, em experiências educativas que têm repercussão no crescimento pessoal, na legitimação da cidadania, na vida profissional do educando; é fruto da interação entre objetivos e prioridades estabelecidas pela coletividade; é um trabalho que exige o comprometimento de todos os envolvidos: professores, equipe técnica, alunos, família e a comunidade como um todo; é algo que se vai construindo aos poucos, revendo, avaliando, discutindo sobre acertos e falhas, pretendendo sempre uma melhoria do trabalho de modo a transformar a escola num centro de excelência educacional.
Nessa perspectiva, é importante ressaltar que um dos elementos essenciais ao desenvolvimento de uma prática pedagógica produtiva é o compartilhamento com a família. Ainda que pais e alunos não tenham um peso decisivo no que diz respeito aos conteúdos escolares (determinados por órgãos governamentais), eles têm muito a sugerir, uma vez que o projeto político-pedagógico transcende os conteúdos a serem ministrados pelos professores. A participação de pais e alunos é importante porque reflete suas preocupações e aspirações sobre a escola que desejam.
É no encontro, e na troca de ideias, que se estabelecem objetivos e metas que levam os interessados a condutas compatíveis que desenvolvam ao máximo as potencialidades das crianças e dos adolescentes.
Nossa concepção de ensino/aprendizagem está fundamentada na ação/reflexão de uma aprendizagem significativa que estabelece relações entre o que se aprende/ensina e as situações do cotidiano e as vivências singulares de cada educando. Assim, consideramos a criança e o adolescente, sujeitos ativos, únicos, que criam, possuem inventividade, pensam conforme sua lógica, expõem pontos de vista. A escuta dessas vozes é um elemento favorável ao trabalho desenvolvido, facilita a compreensão e o atendimento de suas necessidades bio-psico-sociais.
A qualidade do ensino se concretiza, no Vita et Pax, no planejamento de conteúdos significativos, que vão além dos conceitos e fatos de cada disciplina, e nos quais se inserem conceitos formativos e aquisição de competências e habilidades, levando o aluno a “aprender a fazer”, “aprender a ser”, “aprender a conviver” ou seja, “aprender a aprender”, preparando-o para um aprendizado cada vez mais autônomo e contínuo, estimulando-o em suas múltiplas inteligências.
A nossa fundamentação teórica se baseia no processo de mediação, segundo Reuven Feuerstein, romeno, radicado em Israel, professor de psicologia, especialista em desenvolvimento da criança.
Feuerstein rejeita a crença de que a pessoa nasce com uma certa inteligência que permanece fixa pelo resto de sua vida. Para ele, os indivíduos possuem o potencial necessário à mudança e são modificáveis se lhes for dada a oportunidade de se engajarem em um “modelo correto de interação”, denominado “aprendizagem mediada”. A “aprendizagem mediada” permite que o homem desenvolva habilidades de pensamento eficientes que lhe possibilitarão tornar-se um aprendiz autônomo e independente.
O modelo apresentado por Feuerstein permite ao professor-mediador instrumentos para que as funções cognitivas que formam os pré-requisitos ou blocos do pensamento eficiente se desenvolvam, pavimentando o caminho da aprendizagem efetiva.
Alguns dos critérios de mediação identificados por Feuerstein e utilizados pela escola são: intencionalidade/reciprocidade; transcendência; significado; sentimento de competência; regulação e controle do comportamento; compartilhar comportamentos; individuação e diferenciação psicológica; planificação e satisfação dos objetivos; procura da novidade e da complexidade; automodificação.
Firmamos e afirmamos nossa preocupação com a formação integral do educando:
Assim, preparamos nossos alunos para o processo de educação permanente, uma exigência das constantes transformações e inovações do mundo. Tendo como pilares os saberes de “aprender a conhecer”, “aprender a fazer”, “aprender a viver” e “aprender a ser”, assumimos o compromisso com a aprendizagem de todos os alunos, pois acreditamos que todos são capazes de aprender, e introduzimos em nossas atividades didáticas os princípios da morfogênese do conhecimento: unidade entre processos vitais e processos cognitivos, interpenetração entre prazerosidade e conhecimento.
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